Cart

“Não vamos mudar o mundo, mas vamos fazer a nossa parte.”

17
Jun

1. A ORBIS foi criada para apoiar os projectos missionários do Secretariado Diocesano da Acção e Animação Missionária. Porquê uma ONG? De que forma vai fazê-lo?

Muitas vezes, nos trabalhos do SDAM, deparávamo-nos com uma angústia que era: não dá! Não podemos fazer isto ou aquilo, porque não temos meios…; apesar de muita ou pouca boa vontade, de muito ou pouco entusiasmo, havia coisas que não podíamos levar para a frente, porque simplesmente custavam meios e nós não os tínhamos.

O SDAM é um secretariado da Diocese, criado e reconhecido pela Igreja, mas, civilmente, nem um recibo de donativo podíamos passar.

Da necessidade de acção sistemática e sem andar sempre a magicar como criar recursos tipo esmola, surge a criação da ONG, que é como que o sector de projectos humanitários do SDAM.
Se andamos por aí a sensibilizar as pessoas que é preciso ajudar e evangelizar os mais pobres, para que eles se ergam e depois não fazemos nada, é como dizer que comer iogurtes faz bem e depois não os comemos.

Agora, somos um grupo de gente associada, somos uma ONG, capaz de gerar meios, procurar oficialmente recursos e aplicá-los na sua Missão e razão de ser.

Se sou cristão e tenho o exemplo do Amor que Cristo viveu, não posso aceitar viver num mundo onde vejo à minha frente crianças de estômago inchado, sem forças para brincar, sem comida para pelo menos três simples refeições por dia. Quando vamos ao meio desta realidade inacreditável no nosso mundo “desenvolvido”, não podemos voltar e ficar calados ou quietos. É preciso fazer a diferença em algumas vidas, que acontecem a milhares de quilómetros daqui, num outro mundo, que às vezes não queremos encarar que ainda exista. Não se trata de caridade, trata-se de justiça.
Com a ORBIS, teremos meios para lutar contra o desequilíbrio. Não vamos mudar o mundo, mas vamos fazer a nossa parte disso. A nossa geração pode, se quiser, baseada em método, não utopias, acabar com a pobreza absoluta. A ORBIS começará por ser um pontinho desta história e, no futuro, não sabemos onde podemos chegar com a força conjunta de todos os que se associarem a esta ideia.

A maneira como vamos trabalhar assenta em princípios de economia do desenvolvimento. Todos os projectos que levarmos a cabo partirão de um pedido de ajuda concreto e não de uma vontade do mundo desenvolvido que diz: “Quero ajudar nisto”. Não, os pobres sabem bem do que necessitam para se levantar.
Depois, o que nós faremos será ajudar a subir o primeiro degrau da escada do desenvolvimento, ou seja, numa situação de pobreza extrema, a ajuda necessária é para o primeiro arranque. É como se déssemos um pouco de milho a uma família para o pão de um ano, mas também um pouco para cultivar para o ano seguinte; e se a família não souber cultivar, ensinamos, em vez de ir lá cultiva-lo nós, todos os anos, como alguns grupos humanitários porventura fazem. Essa família cresce por si. Alegoricamente digo família, digo comunidade, digo países e digo mundo! Isto é sustentabilidade.

2. Que projectos tem a Orbis nos próximos tempos?

Baseados neste modelo de economia, de geração e gestão de recursos pelos beneficiários e porque somos Igreja, vamos trabalhar sobretudo com os Missionários no terreno e com as populações com quem eles caminham onde estão.

Assim, para arrancar, terça-feira, assinámos um protocolo de cooperação com a Escola Secundária de Ílhavo, que vai abraçar um projecto de educação em Benguela, Angola. Apoiando directamente uma biblioteca de lá. A Biblioteca Escolar de Ílhavo vai começar por disponibilizar livros que já não são necessários, vai fornecer material de formação em biblioteconomia, desde a organização e catalogação do acervo até ao atendimento aos alunos, que em Benguela serão desde crianças a adultos em alfabetização. O projecto começa assim, mas não sabemos até onde pode ir. O entusiasmo de pessoas determinadas é uma coisa muito forte, da qual não conhecemos os limites.

Haverá mais dois projectos que dinamizaremos ainda nesta fase em que estamos a ‘arrumar estantes’ e a organizarmo-nos…: serão o “Programa de adopção à distância” e o “Comércio Solidário”; os beneficiários serão todas as Missões dos quatro países onde estamos (Brasil, Guiné, Angola e Moçambique).
No primeiro, os “padrinhos”, cá, darão o necessário por mês a uma criança concreta, com rosto, com nome, para que ela se alimente e ande na escola. O montante não será o mesmo exactamente em todas as missões, mas rondará os 10 euros por mês. Para nós não é tanto assim; e muda a vida de uma pessoa, agora já, e na possibilidade de futuro que a educação lhe proporciona. É ajuda directa, simples e eficaz de pessoa para pessoa e o benefício é imediato.

No “comércio solidário”, vamos vender, cá em Aveiro, produtos que nos chegam directamente do terreno: artesanatos, lenços, rendas, etc., produzidos nas escolas por pessoas que as missões promovem com formação. Daremos escoamento a esses produtos e o lucro vai para quem teve o trabalho e o know-how de os fazer e não para intermediários que especulam preços. Com o desenvolvimento deste projecto, esperamos um dia chegar ao protocolado “Comércio Justo”.

3. Quem pode fazer parte da Orbis? Que obrigações e regalias têm os associados? Qual a grande vantagem em fazer parte da Orbis? O que é necessário para fazer parte da Orbis?

Toda a gente pode fazer parte da Orbis! Basta ir ao CUFC ou ao site do SDAM (www.sdam.web.pt), buscar ou descarregar a ficha de inscrição e enviar para a morada indicada. A inscrição e a quota somam 10 euros. Quem se fizer sócio neste primeiro ano de actividade será ‘Sócio Fundador’. Os pequenitos, com menos de 10 anos, pagam apenas 5 euros no total ou o que puderem! Ninguém ficará de fora por não poder pagar, pois a ajuda não é só com dinheiro que se faz!

O que se ganha em ser associado a esta ideia são algumas coisas muito simples: direito à participação nas assembleias, ao voto na direcção e a tudo como em uma qualquer Associação ou ONG portuguesa. Receberá um Boletim Trimestral, que um dia esperamos se torne numa revista, com relatórios do que se vai fazendo, com reportagens sobre as Missões e o mundo em que estão essas Missões. Terão também condições especiais de participação nas acções que fizermos, desde exposições de sensibilização, aos fóruns e a todas as actividades que formos promovendo.

Destas coisas simples, as mais simples e importantes são mesmo a consciência de sabermos que estamos a ajudar, a lutar pela justiça e pela promoção humana no Mundo, com coisas concretas, com projectos, com método. Os 10 euros que dou servirão para fazer a diferença a alguém que não tem nada de seu, para além da roupa suja que está a vestir. n Ajudamos indirectamente com recursos ou mesmo directamente com trabalho.

Haverá sempre espaço para concretização de ideias, donde quer que seja que elas venham. Há dois anos, tivemos uma criança de 8 aninhos que, na sua festa de anos, pediu como presentes brinquedos para mandar para África. Isso fez diferença?… Não tenho dúvidas de que fez… Agora imagine as ideias de adultos e jovens reunidos e com a estrutura de uma ONG a apoiar!

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