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Apadrinhamento de crianças

17
Jan

Procuram-se “padrinhos” para 160 crianças pobres

Quatro maços de tabaco e três cafés “pagam” um mês de escola (material, livros e professor) e uma refeição diária a crianças pobres de Angola. “Uma criança, um futuro” é o nome da campanha de apadrinhamento virtual que a ORBIS está a desenvolver e para a qual já arranjou 40 padrinhos

Fundada em 2006, a ORBIS – Cooperação e Desenvolvimento, é uma Organização Não Governamental (ONG), que surgiu do amadurecimento do serviço de voluntariado missionário da Diocese de Aveiro. De vocação eminentemente humanitária para a cooperação e desenvolvimento, tem como objectivo combater a pobreza extrema.

Exemplo disso é o projecto de adopção virtual, que consiste na alimentação e educação de uma criança em Angola, Amazónia, Guiné-Bissau, Moçambique e Cabo Verde. “Uma criança, um futuro” prevê fidelizar um padrinho em Portugal que adopte, virtualmente, uma criança num destes países, garantindo-lhe um pequeno donativo mensal, mas suficiente para que um menino ou menina, com idades entre os cinco e os 13 anos, se alimente e ande na escola em segurança.

Com três anos de vida, a associação ORBIS tem referenciadas 200 crianças pobres que precisam da ajuda de terceiros para sobreviver. Provenientes de Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e Brasil (Amazónia), são meninos e meninas com rosto e com nome, totalmente dependentes dos padrinhos virtuais que a associação ORBIS consiga arranjar.

“Levámos algum tempo a ter tudo tratado para arrancar com a campanha, queríamos que as listas das crianças estivessem completas e que o fluxo de comunicação entre Portugal e estes destinos funcionassem bem”, explicou Pedro Neto ao Diário de Aveiro, destacando que é junto dos missionários que esta ONG de Aveiro encontra os melhores parceiros para trabalhar. “São eles que têm as escolas e são os que nos oferecem mais credibilidade e segurança. Por outro lado, é neles que a população local se revê: foram os únicos que não fugiram com a guerra e, por isso, têm a confiança dos locais”.

Há 160 crianças à espera

Com várias campanhas em curso, a do apadrinhamento virtual é olhada por este jovem vaguense com particular carinho: “tem o objectivo de garantir a 200 crianças condições e segurança para poderem continuar a estudar e a alimentar-se”, lembrando que para a grande maioria a refeição que têm na escola é a única que têm ao longo de todo o dia.

E para que um padrinho português possa aderir”, basta inscrever-se na campanha e disponibilizar, mensalmente, uma quantia que varia entre os 15 e os 30 euros, conforme o país escolhido. “Uma verba que para nós não tem um valor excepcional, mas que permite um mês de estudo e de alimentação a um menor, pobre e, muitos deles, órfãos”, lembrou.

Neste momento, a ORBIS já arranjou 40 padrinhos, o que equivale a 40 crianças que continuam a ir à escola. Restam 160 meninos e meninas (a partir dos cinco anos) à espera que alguém os ajude a crescer e a ter um futuro mais risonho.

Adesão dos aveirenses é surpreendente

Pedro Neto afirma-se positivamente surpreendido com a adesão da população aveirense e todo o interesse manifestado por esta campanha. “Tendo em conta que a Orbis tem apenas três anos de vida e recursos muito limitados, tenho que ficar satisfeito com a dimensão da nossa acção”.

Para isso contribuiu o aparecimento da disciplina Área de Projecto, no 12.o ano, que veio abrir portas para alunos e professores se interessassem por projectos extra-escolares. Em Aveiro, há oito escolas, entre alunos e docentes, que apadrinharam oito crianças. “Cotizaram-se e decidiram entrar no programa, o que acho fabuloso por duas razões: ajudam quem realmente precisa e, simultaneamente, crescem como pessoas, são despertados para realidades que, certamente, não conheciam e passam a dar mais valor à vida e à solidariedade”.

Depois de estabelecido o “apadrinhamento”, a associação promove o contacto virtual entre padrinhos e afilhados, quer por fotografias, quer por cartas ou envio de emails. “Tentamos que, pelo menos, duas vezes por ano haja esse contacto, até para que este projecto seja reconhecido como transparente e legítimo”, disse o presidente da ORBIS, actualmente com 15 elementos activos e perto de 50 colaboradores e voluntários. “Sou muitas vezes confrontado com dúvidas sobre a veracidade dos nossos projectos, mas é legítimo que as pessoas o façam e nós cá estamos para garantir que não fiquem incertezas no ar”, comentou a propósito. l

Voluntários passam por uma experiência real

Normalmente, a porta de entrada para o voluntariado da ORBIS é a vontade de quererem fazer uma experiência internacional. Começam por ter uma formação, são envolvidos em acções/campanhas pela região de Aveiro e, finalmente, partem para um destino referenciado.

Em comum têm o facto de serem países muito pobres e dependentes das ajudas que vêm do exterior. Quando regressam, ao fim de um mês ou de um ano, e, se aceitarem, começam a ser envolvidos de uma forma mais comprometida na associação.

É este o processo de angariação de voluntários e que não pára de crescer. Neste momento, a Orbis tem uma voluntária no Brasil (um ano) e acabou de chegar outra de Angola (um ano). “Também há muitas desistências, as acções de formação começam com perto de 40 pessoas e quando terminam estão metade. Mas é normal que assim seja.

Até os voluntários que vão para o terreno, depois de regressarem afastam-se, mas acredito que ao voltarem ao seu ciclo de amizades e para o seu trabalho, serão pessoas melhores, mais ricas e que vão divulgar a experiência que viveram”.

Actualmente, 40 crianças já estão a ser ajudadas. Restam 160 à espera de um padrinho.

Os direitos dos padrinhos virtuais

-Pode apadrinhar individualmente ou em grupo (trabalho, amigos, catequese, turmas)
– Escolher por ordem de preferência relativa ao país que pretende apoiar
– Saber o nome da criança apadrinhada, bem como a sua situação familiar e social
– Estar informado, pela ORBIS, acerca da aplicação do seu contributo
– Estabelecer contacto com a criança (via ORBIS), ao longo do tempo;
– Donativos serão dedutíveis no IRS ao abrigo do estatuto do mecenato (D.L. n.º 74/99)

Deveres
– Apoiar o projecto “Uma criança, um futuro”, no mínimo durante um ano
– Ser fiel ao compromisso de ajuda e capacitação da criança que pretende apadrinhar

Locais de apadrinhamento:
– Angola: Benguela e Luena
– Brasil: Amazónia
– Cabo Verde: Ilha S. Vicente
– Guiné Bissau: Safim e Belém-Bissau
– Moçambique: Moamba, Inharrime e Mambone

Missionário de coração e defensor dos direitos humanos

Em 2004 fez a mochila e passou as férias de Verão numa missão humanitária em Angola. Longe de praias de areia fina e hotéis de cinco estrelas, Pedro Neto passou a dedicar alguns meses do ano a contactar de muito perto com realidades bem diferentes das que deixava em Portugal.

Actualmente com 29 anos, foi seminarista, tirou o curso e um mestrado em Arqueologia, dá aulas de Religião e Moral, Integração, Cultura e Comunicação, além de estar ligado à Área de Projecto de escolas. Em Setembro de 2006 fez nascer a Orbis – Cooperação e Desenvolvimento (www.orbiscooperation.org), uma ONG, a primeira criada em Aveiro.

Em Outubro a associação passa por eleições e, embora interessado em manter-se na Direcção, preferia afastar-se do cargo de presidente. Além do desgaste físico e emocional, acredita que as obras não se devem centrar numa pessoa e que a mudança é saudável para a manutenção e autonomia das estruturas.

Fonte: Diário de Aveiro

Data: 8 de Junho de 2009

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